Os 50 anos do Golpe Militar de 64 foram lembrados no dia 31 de março em todo o Brasil por uma série de solenidades e manifestações. Parentes de desaparecidos políticos, ex-militantes que foram presos e torturados e defensores dos direitos humanos fizeram manifestações em São Paulo. Eles se reuniram em uma delegacia onde funcionava o DOI-Codi, um dos principais órgãos de repressão dos militares.
Em outro prédio, que era usado como prisão, o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), e hoje é o Memorial da Resistência, os filhos do deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura, mostraram um pronunciamento do deputado, no dia do golpe. “Para que pacífica e ordeiramente digam um não e um basta a esses golpistas”, diz Rubens Paiva no áudio que foi ouvido por quem participou do evento.
“Eu gostaria que, nesses 50 anos, fizesse a revisão desse infortúnio que foi o golpe, em nome de algo que não era verdade contra a legalidade e a eleição de um governo eleito que, naquele momento, se encerrou”, pede Vera Paiva, filha de Rubens Paiva.
Em Brasília, manifestantes picharam e colaram cartazes em frente à casa do ex-chefe do DOI-Codi, coronel reformado Brilhante Ustra. E, no gramado, na Esplanada dos Ministérios, mais de mil cruzes lembraram os mortos pela ditadura.
Os 21 anos de repressão, de torturas, cassações e do fechamento do Congresso Nacional também foram lembrados no Senado e no Palácio do Planalto por quem sofreu nos porões do regime militar e hoje tem um mandato.
A presidente Dilma Rousseff, que foi presa política e torturada, reforçou a importância das conquistas democráticas, e disse que a ditadura deixou cicatrizes visíveis e invisíveis.
“O dia de hoje exige que nos lembremos e contemos o que aconteceu. Devemos isso a todos os que morreram e desapareceram”, declara a presidente Dilma.
No Senado, alguns parlamentares defenderam mudanças na Lei de Anistia. Na sessão especial que lembrou o golpe, o ex-ministro Waldir Pires, que integrou a equipe do presidente João Goulart. Ele estava em Brasília, com Darcy Ribeiro, no Palácio do Planalto, no dia 31 de março de 1964. Tentaram, mas não conseguiram evitar a deposição de Jango.
E, na sede nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o ministro da Justiça, em um ato simbólico, pediu desculpas ao povo pelos anos de ditadura. “E hoje eu tenho o dever constitucional de declarar. Hoje eu tenho o dever constitucional de pedir perdão. Um gesto simbólico que, para quem viveu aquele período seja como espectador, como de certo modo eu fui, ou quem esteve atrás das grades e foi torturado, deve ser profundamente demarcador de uma nova realidade, de um novo tempo”, pontua José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça.