Edição do dia 31/03/2014

01/04/2014 01h12 - Atualizado em 01/04/2014 01h32

Cinquenta anos do Golpe Militar de 1964 são lembrados em todo o Brasil

Parentes de desaparecidos políticos fizeram manifestações em São Paulo.
Em Brasília, mais de mil cruzes lembraram os mortos durante regime militar.

Giovana TelesBrasília, DF

Os 50 anos do Golpe Militar de 64 foram lembrados no dia 31 de março em todo o Brasil por uma série de solenidades e manifestações. Parentes de desaparecidos políticos, ex-militantes que foram presos e torturados e defensores dos direitos humanos fizeram manifestações em São Paulo. Eles se reuniram em uma delegacia onde funcionava o DOI-Codi, um dos principais órgãos de repressão dos militares.

Em outro prédio, que era usado como prisão, o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), e hoje é o Memorial da Resistência, os filhos do deputado Rubens Paiva, desaparecido durante a ditadura, mostraram um pronunciamento do deputado, no dia do golpe. “Para que pacífica e ordeiramente digam um não e um basta a esses golpistas”, diz Rubens Paiva no áudio que foi ouvido por quem participou do evento.

“Eu gostaria que, nesses 50 anos, fizesse a revisão desse infortúnio que foi o golpe, em nome de algo que não era verdade contra a legalidade e a eleição de um governo eleito que, naquele momento, se encerrou”, pede Vera Paiva, filha de Rubens Paiva.

Em Brasília, manifestantes picharam e colaram cartazes em frente à casa do ex-chefe do DOI-Codi, coronel reformado Brilhante Ustra. E, no gramado, na Esplanada dos Ministérios, mais de mil cruzes lembraram os mortos pela ditadura.

Os 21 anos de repressão, de torturas, cassações e do fechamento do Congresso Nacional também foram lembrados no Senado e no Palácio do Planalto por quem sofreu nos porões do regime militar e hoje tem um mandato. 

A presidente Dilma Rousseff, que foi presa política e torturada, reforçou a importância das conquistas democráticas, e disse que a ditadura deixou cicatrizes visíveis e invisíveis.

“O dia de hoje exige que nos lembremos e contemos o que aconteceu. Devemos isso a todos os que morreram e desapareceram”, declara a presidente Dilma.

No Senado, alguns parlamentares defenderam mudanças na Lei de Anistia. Na sessão especial que lembrou o golpe, o ex-ministro Waldir Pires, que integrou a equipe do presidente João Goulart. Ele estava em Brasília, com Darcy Ribeiro, no Palácio do Planalto, no dia 31 de março de 1964. Tentaram, mas não conseguiram evitar a deposição de Jango.

E, na sede nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), o ministro da Justiça, em um ato simbólico, pediu desculpas ao povo pelos anos de ditadura. “E hoje eu tenho o dever constitucional de declarar. Hoje eu tenho o dever constitucional de pedir perdão. Um gesto simbólico que, para quem viveu aquele período seja como espectador, como de certo modo eu fui, ou quem esteve atrás das grades e foi torturado, deve ser profundamente demarcador de uma nova realidade, de um novo tempo”, pontua José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça.